sábado, 7 de maio de 2011

Constatação

No tempo de mudança, pegou a andar, porque andar é morrer um pouco.
E andando esperava seu passo se constituir caminho.
Para todas as células
Escalavradas
Há um pouco de terra
Que as cubra
Que as tome
Que as consuma como ato.
Porque o único ato
É ser.

Passarinho passarinho
Que vai remando os ares
Passarinho passarinho
A guerra é o deus que o apoia
No céu
Diante dos homens
E suas construções
De paz duvidosa.

Passarinho não anda
Que conquistou asas.

No tempo de mudança pegou a andar, porque andar
É nossa união à terra
De pés descalços
Pele, pedra e pó.

Entorna a moringa
Em copo de barro.

A água denunciará tua sede.

E afirmará,
Todos os dias no fio das horas,
A medida que os homens
Não terão mais
Quando enfim seus passos
Se tornarem voo.


Um comentário:

Mari Stumpf disse...

Você encanta multidões. Habilidade invejável com as palavras.