sábado, 16 de outubro de 2010

Acontece

A vida acontece é aos pouquinhos.
A morte também.

O que tenho calado aqui dentro
vem
na porção desse mundo
pequeno
que as pessoas tem medo de nomear.
A dor.

Por hoje o tempo escureceu.
E nas ruas
o vento
assobiou
assobiou tanto
que meu coração
sentiu a alegria
e quis colher palavras
que dormem no sábado de Itapetininga.

Por isso precisei caminhar.

Pra acordar as palavras
e que não saíssem tão secas
e fossem conforto e carinho
e silenciassem como os bois
figuram sua pose sem peso,

prendendo o tempo,
a posse do vento
e das coisas que se movem.

Mas as palavras estão
por conta do sono e tristes,
passam ao largo caminho,
falseiam a natureza

de outro tipo de semente.

Estão longe das mãos
que prenham
o fio da pipa
pra rebentar a vida no ar azul.

A poesia não nasce pros homens.

Vi muita vir de toco de árvore
que apodrece no olho da mata
e tem assobio de meninos por trás.

Os homens nunca perceberam que o vento
é apoio pra melodia que sai da boca.

O vento só
o vento que me fez sentir a alegria
o vento que conhece o fim.

Por isso tive que andar.

Acontece é aos pouquinhos.
A morte também.

2 comentários:

Neiva Corrêa disse...

Lindo! Adoro a delicadeza com a qual você trata as palavras. Abração!

*-* Thaís Cavalcante *-* disse...

Olá gente! Tdo bem? Te seguindo vc's tá!?? Quando der passem lá no meu cantinho tá!?
Bjocas!!
=)
Link do blog: http://thaiscavalcantemodaebeleza.blogspot.com/