terça-feira, 31 de julho de 2012

Breve Historia da MPB (11a. parte)

        “Eu tenho uma porção de amigos. Todos são meus amigos, você é meu amigo, todo mundo é meu amigo. Eu ando com todo mundo, me dou com todo mundo, sabe? Francisco Alves, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Araci de Almeida, Orlando Silva, Ismael Silva, Roberto Silva, J. Aimberê, Moreira da Silva. Todo mundo aí, tudo meu amigo: Jorge Goulart, Nora Ney, Emilinha Borba, Rui Rei, tudo meu amigo, Jorge Veiga, Risadinha, tudo. (...) Como que faz samba eu não entendo, não sei responder. Eu faço. Por exemplo, eu faço. Eu nunca morei na Vila Esperança e fiz Vila Esperança, nunca morei em Jaçanã e fiz Trem das Onze. Fiz Pensão do Bexiga, nunca morei no Bexiga. Só freqüentei muito o Bexiga, o Nick Bar, na Major Diogo.”
           “Eu não, moro perto de maloca, encostado, vizinho de maloca. Minha casa é aqui e aqui assim tem uma porção de maloquinhas bonitas. Eu moro aqui na Cidade Adhemar, agora Vila São Paulo. Eu sou corintiano, mas moro na Vila São Paulo e lá também tem maloquinhas. Na minha rua não tem luz, não tem água, é poço, se quiser, e fossa, se quiser. Fala para o seu Ferraz [então prefeito de São Paulo] dar um jeito lá. Você fala para ele que não tem luz na rua. Eu tenho que ir para casa cedinho por causa dos assartante. Já roubaram nosso violão, nosso pandeiro.” Apelidado de “Noel Rosa paulista”, foi um símbolo do chamado samba paulista/paulistano, entre seus maiores sucessos estão Trem das Onze, Saudosa Maloca, Samba do Arnesto, Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Um Samba no Bixiga e Iracema que reproduzo abaixo: 

“Iracema, eu nunca mais eu te vi
Iracema meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você

Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não
Iracema você travessou contra mão

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos

Iracema, eu perdi o seu retrato.

- Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar
Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
Você foi para Assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema

Paciência, Iracema, paciência

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos Iracema, eu perdi o seu retrato.”

Um comentário:

Marina Stumpf disse...

Salve, salve,Adoniram.