domingo, 13 de setembro de 2009

Salve as folhas


(...)Sem folha não tem sonho
Sem folha não tem vida
Sem folha não tem nada

Quem é você e o que faz por aqui
Eu guardo a luz das estrelas
A alma de cada folha (...)

Ouço o vento bater
Os galhos em minha janela
Traz consigo o perfume das flores
E me faz lembrar o cheiro dela
Tão distante se encontras
longe da minha mão
deixa-me triste
Só, com a solidão
Mas o vento veio
Nesse momento me visitar
Bate forte vento
Faz-me tentar não chorar
Penso que se pudesse
Pegava carona com o vento
Ia até você
Para diminuir meu lamento
Venha vento, venha
Me leve contigo ou leve um recado
Seja meu amigo
Digas que sofro
Mas é um sofrer em vão
Pois essa destinatária
Doou-se para outro coração
O que resta fazer?
Uma coisa é certo que farei
Apanharei antigas folhas trazidas pelo vento.
Limparei os cantos da alma
Deixarei minha "casa" limpa e cheirosa
Acredito que um novo vento virá.
E consigo um novo perfume.

Adilson Costa

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Baden Powell




É facil ser rapido, mas ter todo esse ritmo e musicalidade não é pra qualquer um.

Elomar Figueira Mello



VIOLEIRO

Vou cantá no canto di primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
Eu falo sério e num é vadiage
E pra você qui agora está mi ovino
Juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o queu digo
Si fo mintira mi manda um castigo

Apois pro cantadô i violero
Só há treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhero
Viola, furria, amo, dinhero não

Cantado di trovas i martelo
Di gabinete, lijêra i moirão
Ai cantado já curri o mundo intero
Já inté cantei nas portas di um castelo
Dum rei qui si chamava di Juão
Pode acriditá meu companhero
Dispois di tê cantado o dia intero
O rei mi disse fica, eu disse não

Si eu tivé di vivê obrigado
um dia i antes dêsse dia eu morro
Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no livro sagrado
qui a vida nessa terra é uma passage
Cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui desde a mudernage
eu trago bem dentro do coração guardado

Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tudo tê
mais só dispois di pená pela istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão do Louvado-seja
I o assombro das casa abandonada
côro di cego na porta das igreja
I o êrmo da solidão das istrada

Pispiano tudo do cumêço
eu vô mostrá como faiz um pachola
qui inforca o pescoço da viola
E revira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tostão na cuia u cantado
canta inté morrê o bem do amo.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sem-fim

Era menino. Ponha triste e fica assim: menino triste. Tinha se demorado vendo os riscos que as formigas faziam no chão. Eram longos, atravessados na grama, cheios de caminhos tortos. Mas levavam em direção ao rio, as formigas talvez tivessem o buraco lá perto, antes um pouco da água. Ele tinha medo. Vira certa vez um afogado... mais parecia um balão cheio. Desejou que as formigas não estivessem ali, que, do outro lado do rio, pousassem suas vidas. Ou um formigueiro n’água.
Sabia que estava perto da hora. O pai passaria por ali, trocaria poucas palavras com a mãe. Ele não entenderia, nunca entendia. Depois veria a sua mala, as suas coisas na mão do pai. Ficaria essa impressão de cinzas deixadas sobre tudo. Queria estar só um pouquinho. Um pouquinho como aquele pássaro que achou sair da terra e abria-se alado para um voo esquisito. Demorou-se, mas o voo não saiu. Sem se mexer, ficou olhando como se arrastasse o tempo com grandes madeiras pesadas. O pássaro misturou-se à folhagem, ganhou movimento dos matos. Separado, numa outra árvore um sem-fim cantou.
- Sem fim, sem fim, sem fim...
O galo, perto dali, escapou em dança. Saci, nome de passarinho. Era seco. O menino correu para assustar a ave e não percebeu que pisara no rastro das formigas. O vento dera-lhe uma alegria súbita, movida pela ação de suas pernas, do coração em atropelo, do esquecimento da partida. Depois, no terreiro, aconteceu de sentir as folhas cheias de sol. Se montasse numa delas, rumaria para lá, onde as coisas não se precisam. Tirou o sapato, uma formiga estava esmagada, vermelha, dentro dele.
Veio a imagem, uma viagem, o carro atirado pela estrada de terra... poeira levantada, não se recordava para onde ia. O sol ponteava a vida em sombras de árvores, a língua colando no céu da boca. Não sabia definir aquela tarde, passagem de gosto breve, leve na sua curta presença, mas, ao tanto, o vento partia os galhos dos taquarais longos, o carro parou. A mãe e o pai saíram, uma ordem para ele. Imperativo, sairia também. Casa pequena, talvez esperassem por eles, parentes que jamais vira. Teria sorrisos e perguntas de pouco valor. Era assim mesmo. Isso não impressionava. Seus olhos correram a parede da frente, o vento ainda estalava as taquaras secas, adormecendo o tempo, dando carga ao passado. Ao lado da porta, viu. O sangue. Como se nunca tivesse percebido essa cor, descobriu o pássaro na gaiola. De boi. Uma gota veio planando pena em queda livre, escorrida do peito. Agora pouco importava a sede, as palavras dos outros, o que deveria cumprir, o corpo da ave derramou grená nos seus olhos, inundando as vozes, a poeira na língua, os sorrisos impressos em panos que se desmancham. O lugar tomava maneira de sol poente. Disso tudo, apenas a silhueta do sangue-de-boi alimentava o seu mundo infantil. Jamais ousara perguntar o motivo da viagem em direção a esse começo do que acabaria por todo o resto. O sangue de todos.
Refeito pela voz fraca da lembrança, o relevo do chão coberto pela copa da mangueira fazia com que seus pés desejassem a terra. Antes assim, nem partiria. Seria mais chão dos bichos, cama da chuva, diverso dos homens grandes, das mulheres que tragavam os dias em seus olhos fundos de desamparo. E, como solo, teria sempre uma formiga esmagada dentro...
Calçou o sapato, o pai já o esperava, o jeito cinza com as malas na porta da casa. Seu ar assumindo os ares. Limpou as mãos e foi andando, miúdo, para o aceno generoso do adulto. A tarde caía em cima dele. O sem-fim calou-se por um instante enquanto o mundo engolia homem e menino... Depois, repleto de sua vida entre asas, voltou a chamar pela noite.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Viagem ... viagem.

Marca às 16 pra sair às 17. Estacionamento da Rodoviária.

Parece ter muita gente, será que cabem todos, quem chega vai marcando lugar.

A galera já esta aquecendo, ou refrescando-se, cerveja, vinho gelado e aquela Cachaça.

As meninas marcam presença, afinal nas bandas só tem garoto, o que é uma pena, aquela garota sabe tudo de Baixo!


Cadê o Gustavo- foi tocar com os emo, vai de carro pra lá.

Precisa passar na casa do Marcelo, pegar equipamento.

Ônibus ligado, o Natan está chegando, lotação máxima, 2 no corredor. Volta pela cidade para chegar nos equipamento.


A garota loira, pouca idade, bastante altura, namorada do Gustavo, começa a beber aquele vinho muito tinto, lembra aqueles chicles que deixam a língua colorida.

-coloca um pouco dessa Sagatiba ai vai...


Passamos pegamos tudo e todos, agora é estrada,

17:30 hrs, 30 minutos de estrada, a Larissa já mandou uma garrafa daquela tintura com cachaça, esta passando mal ... os amigos dão uma força,

mas como disse o Gui, se fosse o rapaz aqui com cara de macaco manco sem teta, ninguém daria tanta atenção.

prima do Todhy, precisa de um chocolate, açúcar no sangue, que tal uma água tônica.


A Lolly tirou folga da maquina, deixa pra gente brincar um pouco.


E agora, este ônibus não tem banheiro!!! caraca... as meninas entoam um coro “Banheirooo” “Banheiiiiiiroooo”.

– vamos parar no próximo posto... alivio geral.

No próximo oficio coloca lá –tem que ter banheiro!

Alguém pergunta –ta perto? –nem começamos a viagem, são quase 3 hrs de estrada.

Passaram-se apenas 40 minutos.


O Guilherme bem que podia ser comediante, muitos anos de excursões e tal, não me recordo de dar tanta risada numa empreitada dessas.

O Bruno parece aquele filme “O medico e o monstro”, não fala nada na viagem, mas no palco se transforma. Na Gant’z é assim mesmo, a turma é sossegada, exceto o Ariel ...

O Felipe veio meio empresário do Overnight, camisa verde e tal.


E no meio de toda essa curtição, as coisas vão se ajeitando, surgem 2 casais ficantes no caminho... um deles é uma grata surpresa e satisfação !!!


Chegamos em Itararé, cadê o bar? -pará ai e pergunta. -é fácil, fácil... opa, mas está fechado ainda -é cedo, 20 horas.

-Vamos explorar a cidade, enquanto não abre

-e o pessoal vai ter que passar o som ainda.

Depois de 20 minutos, chegamos ao centro da cidade,

-vamos comer umas pizzas

-mas tem que pegar e sair comendo.

Andando, já faz a digestão no caminho pra poder agitar no som.


22:00 hrs o som vai começar. Tem festa de peão, a cidade está toda lá!

ainda bem que viemos de micro ônibus, quase lotamos o bar.


Vamos curtir o som da Overnight.

Caras animados mandam bem o som e a galera também agita como sempre.

Bons covers, musicas próprias, personalidade... e aquela do Michael, pra não esquecer.

Não esta saindo bem a voz, mas o Cafundó teve uma boa idéia e resolveu a questão.

E a loira ressuscitou depois de dormir toda metade final da viagem, parece que não aconteceu nada. Esta inteira e viva novamente...

A Lolly quase dança um funk e a Suzy tá querendo se acabar.

Chama o Gant’z, vamos fazer aquele cover, todos juntos no palco, Anthrax e Public Enemy, coragem.


Agora é a vez da Gant’z, passa o som logo ai

-queremos musica!

Sons mais pesados, os garotos emendam Sympton of the Universe com musica própria, boa sacada, duas ótimas musicas juntas...


Quase meia-noite, chega ao palco o cara do bar, com cara de decepção

-a policia apareceu ai, tem que parar o som.

-Não vai nem tocar o Angels Holocaust?!?

-Caramba, depois de toda essa viagem!!!

não tem problema, curtimos tudo, pena que o som não foi completo. A juventude compensa, com força e alegria.


Na volta, aquele rapaz que parece que nem veio, surgiu e nos brindou com varias sacadas sacanas e sujas, para novamente a galera cair na risada intensa e verdadeira, né Tim...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Dizem que há mundos lá fora Que nem nos sonhos eu vi Mas que importa todo mundo Se o mundo todo é aqui.

Como disse Fernando Pessoa:


Mestre, meu mestre querido!
A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou,
Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente,
Natural como um dia mostrando tudo,
Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.
Meu coração não aprendeu nada.
Meu coração não é nada,
Meu coração está perdido.
E depois por que é que me ensinaste a clareza da vista,
Se não me podias me ensinar a ter a alma com que a ver clara?
E por que é que me chamaste para o alto dos montes

Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar?


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bye Bye Blog

Salve Maranduvás!
Licença,

Vim aqui agradecer
as varandas e janelas
na cabeça
que criamos nas ribanceiras de botões e fôlego
dessa maloca-blog.

não sei rezar em português

mas quem nasce na seca aprende desde míuda a lançar pedras na zica:

Que chova demorado
pra tacar disparo nos medos nossos de criar.

Que chova arriscoso
pra plantar peixes venenosos nas beiras da masmorra.

Que chova mansinho
pra arrepiar as esquinas subterrâneas da gente
de malícia.. de dengo... de mordidas.

Vou embora de escrevências
mas de ler vocês não deixo não.

Fiori, que é Lampião, Maria Bunita e Corisco
tudo junto na mesma ramagem

Lia, meu Lião minha bonina
( já me odiou com carinho e já me carinhou com zanga )
tem uma cachaçinha de alambique que eu trouxe do Quilombo Cafundó lhe esperando viu?
Minha amiga de garras e patas e coração de doce de batata-doce

Luiz, catalizador:
cata
aliza
a dor
e depois diz:
"tô misturando mpb dos anos 30 com rock'roll"
Valeu pela mandioca digital, pela ação.

E bem-vindos os novos enchuvarados:
Venham, venham!
remar!

Longa vida ao Blog!
Fértil arado.

Fernanda Rodrigues de Miranda

domingo, 30 de agosto de 2009

Além do Céu




Além do céu eu vou buscar,
forças para poder te amar,
forças para poder lutar por ti,
forças para poder vencer contigo!


Além do infinito eu vou atrás,
Atrás do seu amor,

Atrás de você,
Se for preciso,

Te busco aonde estiver,
Tudo por que sem seu amor, minha vida,
não tem mais cor.



Dimitre Nascimento Vieira

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Um sopro histórico de MPB. (5ª. Parte)

“O Orlando Silva fez sucesso demais. Era demais, o homem era demais, nunca vi. Orlando Silva foi demais, mais do que Roberto [Carlos] e muito mais pesado. Porque não era a meninada que ia. Ia homem atrás do Orlando Silva, moça, mulher, gente já de idade, a molecada. Era um cartaz espetacular. Ele era demais, meu filho. O Orlando enchia o largo do Colombo, no Brás, que é uma enormidade, ficava assim para ver o Orlando Silva cantar, mudava o trafego. O Orlando foi o máximo em São Paulo. (...) Chico Alves também fazia muito sucesso em São Paulo. Não era muito amigo, não, mas andava junto com ele. Quando ele ia para São Paulo, a gente jantava muito junto. Diziam que ele era pão-duro. Não era pão-duro nada, coitado do Chicão. Para mim era meu amigo. A gente ia jantar, ele não gastava muito, não, que não era bobo, ele não gastava muito, mas, se a gente pedia duas sopas, ele pagava a minha sopa. Ele dizia ‘Me dá duas sopas ai, dois minestrones’. E pagava o meu. Ele fumava Petit Londrino e era cada tragada um tombo, sabe, um cigarro forte, cada tragada um tombo. Eu queria fumar, ele me dava cigarro. Meu amigo ele.” Adoniran Barbosa, no Programa Ensaio gravado no dia 28/11/1972, o mais representativo compositor popular paulista, posto ao qual chegou depois de fazer sucesso como radiator, humorista em várias emissoras de radio, ator de cinema e até parceiro (por correspondência) de Vinícius de Moraes, com quem fez o antológico Bom Dia Tristeza. Criou tipos, compôs poesias, cantou crônicas, garantiu lugar na história da música brasileira, até sua morte em 23/11/1982, com 72 anos. Fazia música falando errado, mas, como dizia, “pra falar errado tem que saber falar errado”. Criou diversos sambas errados, letras nas quais relatava situações às vezes trágicas mas com uma grande pitada de humor ou ironia.

“Em Valinhos eu não trabalhei. Nasci lá, depois vim pra Jundiaí. De Jundiaí fui para o Grupo Escolar Coronel Siqueira Morais. O meu número era 245, elefante. Nunca deu esse número no bicho, até hoje eu jogo, não dá nunca. Dali, no Grupo, fui trabalhar no hotel, entregar marmita. Entregava marmita, viu, querido amigo, e no caminho eu tinha fome, sabe, e abria a marmita e contava os bolinhos. Se a família tinha quatro pessoas e ia oito pasteizinhos ou ia dez, eu comia dois no caminho. Era malandrinho já. Não era malandragem, era espertinho. Tinha fome. Não era malandro, era fome. Sabe o que é malandragem? Malandragem é fome.” Com 10/12 anos de idade começou a trabalhar em metalúrgica, em fiação, pintor de paredes em Santo André, também encanador de água e esgoto. “Depois fui mascate, vendia retalhos na rua, retalhos de tecidos, vendia meia. Tanta coisa que eu fui e só deu pra fazer samba. Fazia samba no caminho, andando. Eu já queria fazer samba. Eu nasci querendo fazer samba, não tem começo, já nasci querendo fazê samba. Eu não parava em emprego. Balconista, se uma freguesa queria comprar um negócio eu dizia ‘Pois não’ e começava a batucar no balcão ‘Qual senhora quer, qual é que é?’. Vivia batucando, mandavam logo embora.”

“Na rádio entrei porque eu quis entrar. Eu quis entrar no rádio e ninguém quis. E até hoje ninguém quer, até hoje batem na minha cara a porta. Para entrar no rádio foi duro. Foi duro, entrei como calouro na Rádio Cruzeiro do Sul, no largo da Misericórdia. Ali eu cantava um samba do Noel Rosa, bonito, que se chamava Filosofia. O Jorge Amaral era o locutor. Aí eu fui aprovado como sambista pelo Paraguassu e tudo:

O mundo me condena

E ninguém tem pena

Falando sempre mal do meu nome.

Deixando de saber

Se eu vou morrer de sede

Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia

Hoje me auxilia

A viver indiferente assim.

Nesta prontidão sem fim,

Vou fingindo que sou rico,

Pra ninguém zombar de mim.

Não me incomodo

Que você me diga

Que a sociedade é minha inimiga.

Pois cantando neste mundo

Vivo escravo do meu samba,

Muito embora vagabundo.

Quanto a você

Da aristocracia,

Que tem dinheiro,

Mas não compra alegria,

Há de viver eternamente

Sendo escrava dessa gente

Que cultiva a hipocrisia.

Noel Rosa, meu amigo Noel Rosa, o Queixadinho.”

“Eu tenho uma porção de amigos. Todos são meus amigos, você é meu amigo, todo mundo é meu amigo. Eu ando com todo mundo, me dou com todo mundo, sabe? Francisco Alves, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Araci de Almeida, Orlando Silva, Ismael Silva, Roberto Silva, J. Aimberê, Moreira da Silva. Todo mundo aí, tudo meu amigo: Jorge Goulart, Nora Ney, Emilinha Borba, Rui Rei, tudo meu amigo, Jorge Veiga, Risadinha, tudo. (...) Como que faz samba eu não entendo, não sei responder. Eu faço. Por exemplo, eu faço. Eu nunca morei na Vila Esperança e fiz Vila Esperança, nunca morei em Jaçanã e fiz Trem das Onze. Fiz Pensão do Bexiga, nunca morei no Bexiga. Só freqüentei muito o Bexiga, o Nick Bar, na Major Diogo.”

“Eu não, moro perto de maloca, encostado, vizinho de maloca. Minha casa é aqui e aqui assim tem uma porção de maloquinhas bonitas. Eu moro aqui na Cidade Adhemar, agora Vila São Paulo. Eu sou corintiano, mas moro na Vila São Paulo e lá também tem maloquinhas. Na minha rua não tem luz, não tem água, é poço, se quiser, e fossa, se quiser. Fala para o seu Ferraz [então prefeito de São Paulo] dar um jeito lá. Você fala para ele que não tem luz na rua. Eu tenho que ir para casa cedinho por causa dos assartante. Já roubaram nosso violão, nosso pandeiro.” Apelidado de “Noel Rosa paulista”, foi um símbolo do chamado samba paulista/paulistano, entre seus maiores sucessos estão Trem das Onze, Saudosa Maloca, Samba do Arnesto, Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Um Samba no Bixiga e Iracema que reproduzo abaixo:

“Iracema, eu nunca mais eu te vi
Iracema meu grande amor foi embora
Chorei, eu chorei de dor porque

Iracema, meu grande amor foi você

Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao travessar essas ruas
Eu falava, mas você não me escutava não

Iracema você travessou contra mão

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo so
mente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato.

- Iracema, fartavam vinte dias pra o nosso casamento
Que nóis ia se casar

Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
Você foi para Assistência, Iracema
O chofer não teve curpa, Iracema

Paciência, Iracema, paciência

E hoje ela vive lá no céu
E ela vive bem juntinho de nosso Senhor
De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos
Iracema, eu perdi o seu retrato.”

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Zanga de Bamba.

Onde está!? O que está!?

Que você procura...

Que você encontrou...


No grito o que derrama desse aqui?!


Tem horas em que a zanga é cansaço de luta brava travada mesmo no miúdo da lida.

Suspende a próxima cadência do samba que vinha sincopado,

bem marcado – destilando o sofrimento, crescendo em amor dentro do peito – ;

sua echarpe marca o tempo fechado nessa roda,

e é quando a palavra dela ficou já sem testemunha

para lançar no mais longe ainda.

Deixa olhar para brisa moreno jurando os próximos passos juntos no seguir dos seus.


Uma zanga toda, Samba acordou e reclama em voz de rock n’ roll,

duplamente pra você entender que hoje, nem todo dia é assim...

domingo, 23 de agosto de 2009

Acorda, vem ver a lua ...


acorda, vem ver a lua
que dorme na noite escura
que surge tão bela e branca
derramando doçura
clara chama silente
ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
e correm o espaço profundo
oh, doce amada, desperta
vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
na hora serena e calma
a sombra confia ao vento
o limite da espera
quando dentro da noite
reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
que brilha na noite escura
querida, és linda e meiga
sentir meu amor e sonhar

Composição: Heitor Villa Lobos e Dora Vasconcelos.

Flor do meu jardim.

Flor do Meu Jardim !

-Ó! Flor do meu jardim
Não venhas afarpalhar
O meu coração.
Tenhas dó de mim,
Não me faças chorar.
Já não te basta, ter que,
Dividir-te com a lua,
Com o sol e o com o ar.
Tenhas dó, deste pobre jardineiro,
Que te plantou te regou,
Mas que não pode te apanhar.
Assim é o meu penar de amor
Que vê aquela linda menina
Botão em flor a desabrochar,
Que as mãos de outro jardineiro
Suas pétalas vão acariciar.

José Aparecido Botacini

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Rock'n'Roll

Caminhos

Fragmentos de Uns e Outros
Enquanto houver alguem por trás das janelas
não deixarei morrer minhas faces belas...
Por mais que o peso do Tempo me force a permanecer no passado...
Sou da América Latina, atina!
Enquanto teu olho me buscar por trás da porta,
lavo a roupa pra fomentar a pira, a ira!...
Seguirei se sentir teus passos pisando o chão e
não voltarei mais a enganar nossas férteis ilusões.
Paixão e não.
Horizonte de mergulho próximo e urgente...
Se as artérias de minhas mãos se parecem com as de pedra
e os pelos em meus braços se cruzam contra minhas idéias,
continuo, permaneço calmo e talvez sereno...
E talvez atine a fonte de tua força
e te faça forjar na rigidez de minha face
o sorriso tímido escondido nas trincas...
A vida é o avesso,
preciso de uma folha à parte.